Um retrato original do tédio adolescente

Ketticè, segundo o Variety, é o novo trabalho do diretor italiano Giovanni Tortorici, produzido novamente por Luca Guadagnino. O filme segue a fórmula do diretor de explorar o “aimlessness” (falta de direcionamento) típico dos adolescentes, mas desta vez com um apelo cinematográfico mais lúdico e irreverente. A trama acompanha um garoto rico sem rumo enquanto explora os contrastes entre o autêntico niilismo adolescente e o mundo adulto repleto de estereótipos vazios.

Monica Bellucci rouba a cena

O grande destaque fica por conta de Monica Bellucci, que trabalha com Tortorici em um papel de mãe burguesa caricatural. Para o Variety, “Bellucci’s sneer is a thing of wonder” — sua capacidade de projetar uma persona dramática autoconsciente com o toque certo de camp icon raramente encontra iguais. Apesar do papel secundário, a atriz italiana torna-se crucial para o contraste intencional que o diretor estabelece entre a profundidade dos personagens jovens e a superficialidade do universo adulto.

Uma linguagem cinematográfica refrescante

Tortorici rejeita a abordagem óbvia ao seu próprio tema. Em vez de criar mais um filme sobre adolescentes aborrecidos, o diretor desenvolve “uma linguagem cinematográfica ao mesmo tempo lúdica e incisiva” que transforma potencial clichê em entretenimento genuíno. O resultado é uma obra que se sente “tudo menos sem graça” apesar de sua premissa inicial aparentemente cansada — confirmando o toque singular de Tortorici para capturar o desespero geracional.

Veredicto geral

A crítica internacional reconhece Ketticè como um filme que reinventa fórmulas conhecidas com inteligência e leveza. O filme não apenas documenta o tédio adolescente, mas o celebra com sofisticação visual e humor bem calibrado, tornando-o uma leitura muito mais divertida do que o esperado.

Vale muito assistir? Se você aprecia cinema europeu sofisticado que brinca com seus próprios clichês, Ketticè é uma descoberta obrigatória. Tortorici consolida-se como diretor singular da adolescência contemporânea, e Bellucci prova por que ainda merecia papéis assim muito antes.