Um thriller sobre a manipulação da verdade histórica
Eu é Outro (I Is Another) é um drama psicológico dirigido pelo alemão Felix Randau que estreou na seção Piazza Grande do Festival de Locarno. O filme segue a história real de Felix Kersten (1898–1960), um terapeuta báltico-alemão que prestava serviços de massagem a Heinrich Himmler, líder da SS nazista. O longa explora as pretensões do personagem em ter libertado milhares de prisioneiros de campos de concentração e sua obsessão por ganhar um Prêmio Nobel — tudo isso envolto em uma narrativa que questiona a própria natureza da verdade histórica.
O desempenho impecável de Claes Bang
Segundo o Variety, a grande força do filme é a performance do ator dinamarquês Claes Bang, descrito como alguém que traz “autoridade unctuosa” ao papel. Bang, conhecida figura multilíngue da cena internacional, encarna Kersten com uma sofisticação que realça os aspectos narcisistas do personagem — um homem obcecado em reescrever sua própria história e angariar reconhecimento que talvez não mereça.
Estilo visual sofisticado e debate contemporâneo
A crítica elogia Eu é Outro como um “thriller psicológico requintado” que vai além do simples retrato biográfico. Para o Variety, o filme é “elegantemente estofado” e traz “mais do que um pouco de ressonância contemporânea”, já que questiona o que constitui um fato histórico em tempos nos quais a verdade se tornou cada vez mais maleável. A obra promete gerar debate acalorado sobre memória, revisão histórica e a capacidade de indivíduos em reinventar narrativas.
Veredicto editorial
Eu é Outro é um filme ambicioso que alia uma produção visualmente sofisticada a um desempenho excepcional de seu ator protagonista, explorando território perigoso sobre narrativas construídas e a manipulação da verdade. Para quem aprecia dramas históricos densos e psicológicos que provocam reflexão, a obra merece atenção — especialmente pela performances e pela relevância de suas questões nos dias de hoje.


