Com mais de 30 anos de carreira consolidada, James Gray não tem paciência para trends. E não pretende começar agora. O diretor de Ad Astra e Perdidos em Marte rejeita veementemente a pressão por estar sempre acompanhando o que é “novo” no cinema. “Essa ideia de que precisamos estar sempre tentando ser ‘novos’… isso não significa nada”, afirmou Gray em entrevista após receber o prêmio de carreira no Festival de Locarno, na Suíça.
A rejeição à IA
Entre as críticas do diretor está a inteligência artificial, que ele classifica como “inútil”. Gray acredita que a obsessão da indústria por inovação tecnológica desvia a atenção do que realmente importa: contar histórias humanas relevantes. Para o cineasta, ferramentas não criam arte — apenas pessoas com visão clara conseguem fazer isso.
No auge aos 60
Apesar de carregar o prêmio de carreira nas costas (que brinca ser o “prêmio do velho”), Gray garante estar no melhor momento de sua vida profissional. “Estou num ponto onde devo ao mundo uma ou duas filmes verdadeiramente grandes”, declarou, sinalizando que seus próximos projetos podem ser seus mais ambiciosos.
Contexto Editorial
A postura de Gray reflete uma crescente tensão em Hollywood entre cineastas veteranos e a adoção desenfreada de tecnologias como IA generativa. Enquanto estúdios exploram ferramentas de produção mais rápidas e baratas, diretores da estatura de Gray reafirmam que autoria e sensibilidade artística não são algoritmos. Sua fala em Locarno chega num momento em que a indústria discute intensamente o papel da IA no cinema — e Gray deixa claro de qual lado está.


