“Então acho que cinema não morreu afinal”, brincou Tom Rothman, presidente da Sony Pictures, após “Spider-Man: Brand New Day” explodir as expectativas de bilheteria. A aventura com Tom Holland no papel do Homem-Aranha conquistou impressionantes US$ 360 milhões no mercado doméstico (EUA e Canadá) e US$ 932 milhões globalmente — o maior resultado doméstico e segundo maior internacional da franquia.

Um respiro para o cinema de blockbuster

O desempenho espetacular chega em momento crucial para a indústria cinematográfica, que enfrentava questionamentos sobre sua viabilidade diante do crescimento do streaming. O sucesso do Homem-Aranha reafirma que produções de grande escala ainda conseguem reunir audiências nas salas de cinema — desde que tragam franchises consagradas e nomes como Holland.

O lado amargo: Tarantino vai para Netflix

Porém, nem tudo são flores para a Sony. O estúdio perdeu para a Netflix uma sequência do personagem Cliff Booth, que teria sido dirigida por Quentin Tarantino. A mudança marca uma transferência simbólica: enquanto o cinema tradicional celebra recordes com super-heróis, cineastas renomados migram para plataformas de streaming em busca de liberdade criativa e recursos financeiros.

Análise editorial

O contraste é revelador. A Sony comemora números astronômicos com Spider-Man, mas perde um projeto autoral de Tarantino justamente quando poderia usá-lo para fortalecer seu catálogo premium. A indústria cinematográfica segue em transformação: blockbusters garantem receita, mas conteúdo de prestígio migra para onde há mais autonomia. O cinema não morreu, mas está definitivamente redefinindo o que significa sucesso em 2025.